A estética o design e o designer

Estética (do grego aisthésis: percepção, sensação, sensibilidade) é um ramo da filosofia que tem por objetivo o estudo, da natureza, da beleza e dos fundamentos da arte.

A Estética é também chamada de Filosofia da Arte. Tem sua origem na palavra grega aisthesis, como já dissemos, e que significa, também, " apreensão pelos sentidos.

É uma forma de conhecer (apreender) o mundo através dos cinco sentidos (visão, audição, paladar, olfato e tato).

A estética passou a ser entendida, ao lado da lógica, como uma forma de conhecer pela sensibilidade.

Desde então, a estética se desenvolveu como área de conhecimento.

Hoje, é compreendida como o estudo das formas de arte, dos processos de criação de obras de arte e suas relações sociais, éticas e políticas.


Em Aristóteles, há a compreensão de arte como técnica destinada à produção. O filósofo busca definir os termos :  ação,  criação , regras e procedimentos - para se produzir algo.

Por essas definições iniciais, entendemos que o contemporaneamente chamado “designer de interiores” – (abordando especificamente esta área) - não significa simplesmente “bom gosto”.

Há, predominantemente, uma sensibilidade de percepção – do ambiente, do usuário, da utilização do espaço – um conhecimento primeiro, a partir da expansão de percepção nata e adquirida, do profissional para em primeiro lugar conseguir “perceber”, analisar, o ambiente, sua função e o usuário inserido neste contexto.


Depois desta primeira etapa, estes conceitos são colocados em “ação”, acionando o processo criativo, a partir de regras, técnicas, conhecimento e procedimentos, em sua formação profissional.

Donde entendemos que o “designer de interiores” necessita passar por um

período de formação para poder bem desenvolver suas atividades.



AMPLIANDO CONHECIMENTO

A filosofia grega, a partir de seu período antropológico, buscou perceber os motivos pelos quais as atividades humanas possuem um comprometimento com um valor estético: a beleza.


Desde o início dos tempos, a ideia de beleza e de bem fazer estão interligadas à produção e transformação da natureza.

Com isso, o filósofo grego Platão (427-347) buscou relacionar a utilidade com a ideia da beleza.

Em Aristóteles, há a compreensão de arte como técnica destinada à produção. O filósofo busca definir os termos gregos: práxis (ação), poiesis (criação) e techné (regras e procedimentos para se produzir algo).

Sendo assim, passa a ser entendido como arte, tudo o que passa por essas três dimensões, todo o tipo de trabalho e tudo aquilo que produz algo novo.

E com o passar dos tempos, diversas linhas filosóficas, os conceitos de Belo, de Arte vão se modificando na medida em que própria sociedade se modifica também.


O Homem Vitruviano (c.1490), Leonardo da Vinci


A produção de Leonardo da Vinci mostra a estreita relação entre arte e matemática no período. Na imagem, observam-se diversas invenções e ao centro, um corpo humano inscrito em figuras geométricas.

Definiu-se, então, um campo relativo às sete artes (pintura, escultura, arquitetura, música, dança, teatro e poesia) ou, belas artes. Essa concepção de arte se mantém até os dias atuais, apesar de terem surgido novas formas de expressão artística (fotografia, cinema, design, etc.).



A ESTÉTICA E OS FILÓSOFOS


O filósofo alemão Alexander Baumgarten inaugurou a estética como área de conhecimento da filosofia. Buscou compreender os modos de reprodução da beleza pela arte.

Em boa parte, isso se deu pelo fato da arte ter se estabelecido como um ato de produção que pode estar associada a um valor econômico.

Para atribuir um valor a uma obra é necessária uma compreensão da arte que vai além do simples gosto. Baumgarten buscou estabelecer regras capazes de julgar o valor estético da natureza e da produção artística.

As bases definidas pelo filósofo propiciaram que ao longo do tempo a arte fosse concebida para além de sua relação com a beleza. A arte passa a se relacionar com outros sentimentos e emoções, que influenciam a identificação do que é belo e de seu valor.


O filósofo Immanuel Kant (1724-1804) propôs uma importante mudança no que diz respeito à compreensão da arte. O filósofo tomou três aspectos indissociáveis que possibilitam a arte como um todo.

É a partir do pensamento do filósofo que a arte assume o seu papel como instrumento de comunicação. Para ele, a existência da arte depende de: o artista, como gênio criador;

 a obra de arte com sua beleza; o público, que recebe e julga a obra.


Diante dessa exposição podemos perceber que o designer de interiores é executado por um artista, que tem sua percepção ampliada, para melhor perceber o espaço onde sua “obra de arte” será construída, os “usuários” desta obra de arte, e esta construção se apoiando em sua percepção do todo, e a ação que vai construir o espaço, a partir de sua percepção, de se conhecimento, do conhecimento do espaço e do usuário do espaço.

E como uma das bases de seu trabalho está a estética que perpassas por diversos conceitos e definições que norteiam a ação do profissional.


A filosofia e a arte encontram-se na estética. Muitos são os pensadores que, ao longo do tempo, fizeram essa união como modo de compreender uma das principais áreas de conhecimento e atividade humana.

Hoje em dia, boa parte das teorias estéticas são produzidas, também, por artistas que visam unir a prática e a teoria na produção do conhecimento.

É o caso de Ariano Suassuna (1927-2014), dramaturgo, poeta e teórico da estética. No vídeo abaixo, ele fala do valor da arte popular e sua relação com a dominação cultural.


REFERÊNCIAS:://youtu.be/ew5XpfZMwnQ- 14/04/2020 – 16:50h

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